Nariz-de-cera – Parágrafo introdutório que retarda a entrada no assunto específico do texto. É sinal de prolixidade incompatível com jornalismo. Na Folha, evite em qualquer tipo de texto e nunca deixe passar em texto noticioso.

Um exemplo:

A astronomia já viveu grandes revoluções em sua história. Das esferas de cristal, que sustentavam os astros em seus postos fixos, à revolução de Nicolau Copérnico (1473-1543) e às elipses de Johannes Kepler (1571-1630), muitos séculos de observação foram necessários para mudar a imagem do céu. O século 20 não poderia fugir à regra.

Uma descoberta anunciada na semana passada pela revista britânica “Nature” confirma o padrão. Astrônomos do Observatório Austral Europeu (ESO, na sigla em inglês) detectaram o primeiro planeta fora do Sistema Solar.

Poucos leitores ultrapassariam o obstáculo para chegar ao segundo parágrafo, que abriga a notícia propriamente dita. Se você não pensa assim, tente extrair um bom título exclusivamente das informações do primeiro parágrafo.

Exercício:
De posse dessa definição, entre no Portal G1 e leia algumas notícias a fim de verificar o uso direto do lead da notícia no início de cada texto.  Em seguida leia o texto abaixo (modificado propositalmente para conter nariz de cera) e refaça-o em 20 linhas, seguindo os critérios do lead da notícia Anúncio (lead direto) ou seja, sem nariz-de-cera. Não precisa  refazer o título, mas use-o como referência para o seu texto, e insira:

* Uma foto de 330 x 250 com legenda
* Uma foto de 230 x 340 com legenda
obs: lembre-se de usar palavras, frases e parágrafos curtos – de duas a cinco linhas.

Minicarro elétrico dobrável é lançado na Coreia

Protótipo, inspirado no tatu-bola, pode ser estacionado em pequenos espaços via smartphone

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O Armadillo-T pode percorrer 100 km com a energia de uma carga de dez minutos, e atinge os 60 km/hora

Conforme as cidades crescem, o espaço à disposição dos cidadãos parece diminuir na mesma proporção. Grande parte do problema é causada pelos carros, que exigem grandes espaços para trafegar e, mais ainda, para ficarem parados. O nome e a inspiração vieram do tatu, mais especificamente do tatu-bola, que tem a característica de se enrolar para se proteger de predadores – o mascote da Copa do Mundo de 2014 foi tatu-bola,  da caatinga brasileira.

Os engarrafamentos dificultam o dia a dia de muita gente, especialmente daqueles que dependem de seus carros para irem ao trabalho. Quanto tempo não se perde procurando uma vaga para estacionar? Ou quanto dinheiro não se gasta em estacionamentos para deixar seu automóvel por uma ou duas horas em grandes cidades?  Mas, se depender dos engenheiros sul-coreanos, este tipo de problema está com os dias contados. A solução: um carro que se dobra ao meio.

Uma solução para esses momentos de estacionamento acaba de ser proposta por engenheiros do Instituto de Ciências e Tecnologias Avançadas da Coreia do Sul. O Armadillo-T é um minicarro elétrico dobrável. Em um mundo que é dominado por carros, o tatu-T é um veículo eco eficiente que não vai só reduzir as emissões de carbono, mas também ajudar a diminuir a quantidade de espaço necessário para estacionar um veículo.

Projetado e fabricado pela Coreia do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia (KAIST), o Armadillo-T é um veículo elétrico em pleno funcionamento, que convenientemente se dobra em si mesmo quando estacionado para ajudar a economizar espaço. O atrativo do modelo é a sua capacidade de se dobrar como se fosse um tatu (em inglês, armadillo), levantando toda a traseira do veículo para caber em qualquer vaga.

O carro não consegue exatamente se enrolar – na verdade, ele encolhe agindo exatamente ao contrário do que faz o tatu-bola, erguendo sua parte traseira, que avança sobre a dianteira. É a solução para o grande trânsito de veículos das grandes cidades, economia para o bolso e respeito ao meio ambiente.

O projeto de pesquisa foi apoiado pelo governo coreano, pelo Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes e pela Agência de Infraestrutura Tecnológica da Coreia e apresentado a imprensa em agosto passado.  Como a traseira fica por cima de toda a frente do carro, ele não possui espelhos laterais, usando câmeras para visão lateral. Se o Armadillo-T chegar às ruas, ele vai encontrar um concorrente: o espanhol Hiriko.

Há tantos carros circulando nas grandes metrópoles que as vias estão transformando-se em grandes estacionamentos enfileirados. Essa questão complexa está longe de ter uma solução simples, mas os carros compactos surgem como uma alternativa, ainda que não seja ideal.

Fica estranho, mas o tamanho original do minicarro, que tem 2,8 metros de comprimento, reduz-se para 1,65 metro. Carro elétrico dobrável é inspirado no tatu-bola.  Dobrado, o carro-tatu-bola passa de seus 2,8 metros originais para 1,65, cabendo em qualquer canto.

Não se preocupe em ficar preso dentro do carro dobrado. Um controle remoto acionado por celular permite manobrar o Tatu à distância, incluindo fazê-lo girar 360 graus.

Assim, o usuário não precisa ser bom de manobras: é só descer do carro, dobrá-lo e ver se ele cabe no espaço disponível, tudo manipulando a tela do celular. Quando desdobrado e em movimento, o Armadillo-T é um carro elétrico verdadeiramente 4×4, com quatro motores, um dentro de cada roda, acionados por um conjunto de baterias de íons de lítio de 13,6 kWh.

A colocação dos motores nas rodas é uma opção tecnicamente muito eficiente, além de facilitar a “dobradura” do carro-tatu. Com 450 kg vazio, o Armadillo-T pode levar duas pessoas e atingir uma velocidade máxima de 60 km/h. Uma carga completa das baterias dá uma autonomia de 100 km.

Confira um vídeo sobre o protótipo nas ruas da Espanha:

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