O alto custo financeiro para criar o Parque do Cocó e realizar a regularização fundiária na área é o maior entrave para que a Unidade de Conservação (UC) de proteção integral seja uma realidade. De acordo com proposta deliberada ontem pelo Fórum Cocó, que envolve 23 entidades, a reordenação dos empreendimentos imobiliários existentes dentro da área do Parque deverá ocorrer após a criação da UC.

Entre as decisões aprovadas por maioria de votos, estão ainda quatro acréscimos da área de poligonal demarcada para o Parque (que é uma junção de três traçados anteriores), a tipologia de UC como Parque Estadual e a suspensão de aproximadamente 18 licenças ambientais e obras antes mesmo da criação da unidade. Foi decidido também que a zona de amortecimento da unidade será definida um ano após a criação do Parque.

Ao total, a demarcação de poligonal definida pelo relatório de sistematização do Fórum somou 1.400 hectares. Duas novas áreas (de aproximadamente 23 hectares) fazem parte desta soma: uma mais próxima ao litoral, que possui densa vegetação e nascente de água; e outra junto à BR-116. Durante o encontro de ontem, porém, o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) propôs que mais 6,9 ha, na área de dunas da Praia do Futuro, fossem adicionados. O Movimento Pró-Árvore também sugeriu aumento territorial, novamente em área de dunas, mas nas proximidades da avenida Padre Antônio Tomás. As duas propostas foram aprovadas por maioria.

Recursos
O titular da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, Artur Bruno, destacou que as deliberações feitas serão analisadas pelo governador Camilo Santana. “Agora vamos ver a capacidade do Estado de suportar esse investimento (de criação da UC), já que temos outras demandas importantes, na saúde, habitação popular e transporte”, afirmou. O secretário não informou o total de recursos necessário e ressaltou que a proposta de regularização fundiária deliberada pelo Fórum é “ideal para que o Estado invista o menos possível”.

 

O procurador da República Alessander Sales enviará as recomendações ao Governo. “A sociedade cearense tem que ter ciência de que se for preciso pagar para ter essa UC, esse pagamento é feito para se ganhar algo inestimável, em uma área urbana, de uma extensão grande e essencial para cidade de Fortaleza”.

Anúncios