Algumas vezes nos perguntamos: de que forma a música nos toca a alma? Nunca saberemos, entretanto, em raras singularidades, percebemos quando a alma toca a música. Pescadores de frequências, iluminados pelo som, artífices desse bálsamo, desse éter luminífero, colhem pérolas, no claro/escuro das notas e traduzem o indizível, como um sopro na flauta ou nas cordas do mundo. Desse vale de sons, emerge o poeta das cordas, que condensa o exercício da música, em janelas, onde o espírito captura as imagens de mundos, às vezes desconhecidos, e entrega melodias variantes dos nossos sonhos…

Protagonista desse palco de ilusões e melodias, Carlinhos Patriolino, na maturidade da sua arte, vive um dos melhores momentos da carreira. O Multi-instrumentista prepara-se para lançar o terceiro CD autoral, VIVÊNCIAS. Com uma musicalidade particular, aliada a uma enorme capacidade de improvisação, o músico reúne diferentes ritmos, desde o choro, o baião, com apelos do tango de Piazzolla, na mais alta rebeldia, embora sublime, da massafeira.

Carlinhos ganha os palcos do Brasil, acompanhando grandes e significativos artistas, do cenário da MBP, como Zélia Ducan, Chico Cezar, Orlando Morais, Ednardo, Amelinha, Emilio Santiago, entre outros, desfilando um repertório de instrumentos que vão do bandolim ao sete cordas, do violão à guitarra baiana.

Com um rico trabalho autoral, que pode ser ouvido em seus dois primeiros Cds, “Rabisco” e “Sambopeando”, o artista, quando em temporada na Europa, foi elogiado pela critica e reconhecido pelo público, sendo, então, convidado a participar do festival Raval All Star, no ano de 2008, em Barcelona. Na sacola da memória, a volta ao Brasil trouxe a influência vibrante da guitarra espanhola, que transformou em novos universos no campo musical, ampliando as ferramentas, as quais lança mão com inimitável destreza, como quem brinca de construir um LEGO de notas, com encaixe perfeito, na duração e no compasso do improviso.

carlinhos-patriolino-01-600x380
Carlinhos Patriolino no Teatro José de Alencar

Conhecendo a trajetória do artista de todas as cordas, aguardamos um primoroso trabalho, natural, de quem já nos contemplou com grandes composições como “O BERRO” e “Atravessado”. Nessa expectativa, os entusiastas da boa música, tem a certeza da execução mais que precisa, encontrando soluções inesperadas, nos caminhos dos braços de cada instrumento.

Sugestão de perguntas:
01.Com quantos anos você descobriu sua aptidão para a música?
02. Seu pai foi um grande instrumentista, ele foi o seu maior incentivador?
03.Você toca vários instrumentos, violão, guitarra, bandolim, cavaquinho, guitarra baiana, existe um de sua preferência? Por quê?
04. Existe algum instrumento que deseja aprender?
05. Você tocou com grandes cantores da música brasileira mas passou muito tempo na banda de Emílio Santiago, fale um pouco desse momento?
06. Você acha que o instrumentista ganhou espaço ou não?
07.Fale um pouco da sua passagem na Europa.
08.Você fez parte do movimento da massa feira, encabeçado por artista do Ceará, logo depois da ditadura, fale um pouco desse momento?
09.Como é ser instrumentista no Ceará hoje, dá para viver apenas de fazer música?
10.Quem são suas maiores inspirações músicas?

Anúncios