Poucas são as bandas no mundo que influenciaram tantos gêneros musicais quanto o Sepultura. Ao longo de seus 30 anos de existência, estes brasileiros saídos de Minas Gerais tiveram como marca a vanguarda na música pesada mundial. Thrash metal, death metal, black metal, groove metal, nu metal, hardcore e metalcore. A lista é quase infindável. Primeiro conquistou o mundo, para depois ser visto em seu próprio país. E no transcorrer das últimas três décadas que marcam a passagem de sua gloriosa carreira, a cada nova geração de headbangers, o Sepultura se constituiu como referência.

Implacável e incansável, rompendo a barreira inexorável do tempo, o grupo se notabilizou pela persistência. Recusar. Resistir. Empurrando o tempo sempre para o adiante. Respeitando o passado, vivendo o presente, porém levando para a frente todos os aconteceres. A necessidade, rubra de tão forte, de seguir sempre adiante. A incrível capacidade de ser, ao mesmo tempo, história e futuro.

Dezembro, o décimo segundo mês de nosso calendário gregoriano, é um mês de celebrações. Na Roma Antiga se celebravam as Saturninas; os povos Celtas (dominados pelos Romanos) tinham uma festa para o nascimento do sol. Os cristãos comemoram o nascimento do Filho de Deus, o Natal. O heavy metal mundial também tem o que comemorar. No dia 4 de dezembro de 1984, um grupo de adolescentes mineiros se apresentava pela primeira vez sob a denominação de Sepultura.

O amanhã se torna hoje e o hoje logo se transforma no ontem. Os dias se sucedem no tempo e os meses vão sendo vencidos pela inevitável contagem do calendário. Desde aquela despretensiosa apresentação de 4 de dezembro de 1984, 30 meses de dezembro já se passaram. E o Sepultura chega a 30 anos de carreira.

O tempo não para. O Sepultura muito menos. Dos tempos mais inóspitos do underground brasileiro, de álbuns ríspidos e crus como Bestial Devastation e Morbid Visions, passando pela chegada de Andreas Kisser, no lugar de Jairo Guedes, e a evolução técnica do Schizophrenia até estourar, definitivamente, nas paradas internacionais. Primeiro com o Beneath the Remains, depois os discos de ouro que se sucederam com Arise, Chaos AD e Roots.

Em outro mês de dezembro, do ano de 1996, um trauma. Mas, nem mesmo a saída do vocalista Max Cavalera fez com que a banda desistisse. Um norte-americano se juntou a estes brasileiros na persecução de continuar a carregar o peso do seu som mundo à fora. Derrick Green trouxe ao Sepultura a versatilidade de sua amplitude vocal. E com o Fumaça à frente dos microfones, o grupo seguiu adiante: Against, Nation, Roorback e Dante XXI.

Dez anos depois da partida de Max, nova saída. Menos traumática do que a anterior, mas não menos impactante. Igor Cavalera, co-fundador do grupo, deixava o Sepultura. Resistir. Perseverança é uma das marcas desta banda. Que se recusou a decretar seu fim. Querer ser, e permanecer. Com Jean Dolabella nas baquetas, A-Lex e Kairos ecoaram o nome do Sepultura nos quatro cantos do mundo.

O ano de 2011 se aproximava do fim quando Jean deixou a banda. Em seu lugar, entrou o pequeno prodígio de nome Eloy Casagrande – que sequer tinha dois meses de idade quando o álbum Arise fora lançado em 1991. A chegada do garoto deu um novo gás ao Sepultura, que partiu para a estrada, levando na bagagem o peso da história e de sua música.

Lançado em 2013, The mediator between head and hands must be the heart é o álbum de estúdio que traz a banda ao seu 30º aniversário. Um petardo, variando entre canções rápidas, agressivas e brutais com outras em que o peso do groove forma um verdadeiro paredão sonoro. Um trabalho que mostra ao mundo que o Sepultura segue firme e forte. Resistindo à implacável passagem do tempo.

Perseverando às mudanças. Internas, pois nada na vida permanece igual e imutável. Externas, de um mundo em constante evolução e transformação. A inextinguível chama do Sepultura segue a se propagar. Só os fortes sobrevivem. Ao mesmo tempo em que celebra o marco de 30 anos, a banda já pensa no adiante. Para a frente todos os aconteceres. Um ciclo que se encerra é um novo tempo que se inicia. O 31º, de muitos anos ainda por vir, de sua gloriosa carreira apenas começou.

Fonte: Sepultura

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