Vanessa da Mata DelicadezaVanessa sobe ao palco com aquele seu jeitinho tímido, senta em um banquinho com a
auréola de flores grandes combinando com os arranjos pendurados no pedestal do
microfone e se destacando no espaço acolhedor. A casa, lotada, ouve atenta enquanto a cantora começa o espetáculo com “Viagem”.

A voz de Vanessa vai se firmando à medida em que ela aquece o público, que não consegue resistir quando a cantora levanta os braços e pede ajuda no coro. Cheia de firulas vocais, a matogrossense vai passeando por canções antigas de seu repertório como “Moro Longe”, “Fugiu com a Novela”, “Baú” e “Carta (Ano de 1890)”, passando ainda mais emoção do que seus registros no estúdio, se é que isso é possível.

Acompanhada pelo piano de Danilo Andrade e o violão/guitarra de Maurício Pacheco,
Vanessa se aventura em covers de Gonzaguinha (“Espere por mim, morena”),
Los Hermanos (“Samba a dois”) e até Carole King (“It’s Too Late”), fazendo proveito do
clima da Miranda para dialogar com o público e contar histórias do interior ou de
sua relação com as músicas escolhidas. Sua familiaridade com o repertório de Tom Jobim –
com o qual já rodou o país na turnê “Vanessa da Mata canta Tom Jobim” – aparece em
“Dindi”, um dos momentos mais emocionantes da noite.

O segmento em que Vanessa da Mata rearranja clássicos da “música caipira”, como
“Vá para o inferno com o seu amor” e “Cuitelinho” (inspirada pela versão de Nara Leão),
mostra não só a versatilidade de suas influências, mas também as inúmeras possibilidades
para a sua voz. Claro, quem foi esperando pelos grandes hits avassaladores da artista não
se decepcionou: “Te Amo”, “Amado” e “Ainda Bem” tiveram seus momentos e a grande surpresa da noite veio no final do espetáculo, com “Segue o Som”. A cantora desceu do palco e cantou a última música em meio às mesas do Espaço Miranda, para a alegria geral. Mais surpreendente que isso foi só o fato de ela conseguir manter as notas mesmo enquanto posava para selfies.

“Delicadeza” se prova um espetáculo não só inédito, mas imperdível para fãs de Vanessa da Mata e da Música Popular Brasileira. Tanto pela intimidade que o público consegue trocar com a artista, pelos rearranjos de sucessos popularmente conhecidos e o repertório
deliciosamente improvável. Essa é uma daquelas atrações que quem vê, sentirá orgulho de
poder contar aos amigos no dia seguinte, ou daqui a anos.

Fonte Heloisa Tolipan

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