Neurocirurgião Marcos Vinícius Serra está na Itália para cerimônia.
Madre será canonizada neste domingo no Vaticano.

O neurocirurgião Marcos Vinícius Serra, que participou do tribunal que confirmou o segundo milagre atribuído a Madre Teresa de Calcutá, disse que o amor que movia a beata é o maior legado que ela poderia ter deixado para a humanidade. A cura inexplicável de um morador de Santos, no litoral de São Paulo, em 2008, foi essencial para o processo de canonização, que ocorrerá neste domingo (4) no Vaticano.

Marcos está na Itália para participar da cerimônia. Ele foi um dos três médicos que avaliaram, em 2015, o caso de Marcilio Haddad Andrino, que se curou de uma hidrocefalia e uma infecção rara no cérebro. “Isso, para um médico, é muito complicado. Eu estava vendo as tomografias e tinha algo inexplicável na minha mão. Realmente, mexeu muito comigo”, conta.
O médico ficou três dias em um mosteiro ouvindo o paciente, os familiares e as pessoas envolvidas no caso. Ele também analisou todos os exames de Marcilio na época da cura. “Acho que fiquei 30 segundos meio anestesiado. Pedi que Deus me centrasse de novo, que eu pudesse raciocinar como médico, não como católico. Deixei que a coisa fluísse e fiz o término da análise com serenidade”, relembra.
A mensagem de amor da beata tocou o médico, que foi influenciado pelo milagre. Ele deixa um recado para todo o mundo. “Que as pessoas amem. Acho que está faltando isso no mundo. Se as pessoas amarem, a gente vai ter menos corrupção. Se as pessoas amarem, a gente vai ter menos guerra. Se as pessoas amarem, as famílias não vão se destruir. Enfim, amor. E que a madre abençoe a vida de todos nós”.
Em 2008, pouco depois do casamento, Marcilio foi hospitalizado e diagnosticado com hidrocefalia e uma infecção rara no cérebro. Depois de ser tratado durante um mês com antibióticos, não houve melhoras.
Enquanto o homem estava internado em estado grave por conta da infeccção, a mulher dele foi até a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em São Vicente, e conversou com o padre Elmiran Ferreira. Bastante abalada, ela pediu auxílio. O padre deu para ela um santinho de Madre Teresa e pediu para que ela rezasse em nome da beata.

Ele disse, em entrevistas recentes que, desde que foi internado, sua mulher começou a rezar “a Deus e à Madre Teresa, pois uma ex-chefe dela tinha se curado de um aneurisma cerebral rezando para ela”.
Os médicos decidiram operá-lo, apesar da intervenção ser muito perigosa. Na noite anterior à cirurgia, ele conseguiu dormir bem. “Me levantei e não tinha dor de cabeça. Sentia uma grande paz interior. Perante a falta de dor, os médicos me disseram que não iam me operar e que deixariam o procedimento para o dia seguinte”, lembrou.
Ele nunca foi operado: “Os abscessos reduziram em 70% e a hidrocefalia tinha desaparecido. Três dias depois fizemos mais uma análise. Não havia qualquer rastro dos abscessos. Compreendi que ela tinha me curado”, afirmou.

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